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Alguns tipos de atendimentos psicológicos em saúde e na clínica

O nome de Atendimento Psicológico é genérico e não restrito à prática clínica ou à psicoterapia. É um termo guarda-chuva que abrange vários tipos de intervenções que envolvem o acolhimento profissional. No cotidiano quando vamos registrar em documentos o tipo de atendimento realizado é preciso nomear qual tipo foi realizada. E nomeamos de acordo com o processo e objetivo. No campo da clínica e saúde a psicologia pode apresentar os seguintes tipos de atendimentos: plantão, aconselhamento, orientação, avaliação, psicoterapia, promoção de saúde.


O Plantão Psicológico é um tipo de intervenção no qual é feita a escuta emergencial e pontual para momentos de crise.


Na modalidade Aconselhamento Psicológico ou Orientação Psicológica, o profissional atua de forma mais diretiva, focando na resolução de problemas específicos. Pode ser realizada em apenas uma consulta. Sua frequência pode ser mensal e pode ser de curta, média ou longa duração. Com objetivo de resolver questões pontuais ou práticas da vida. Usualmente seu foco recai sobre o apoio para o sujeito em tomadas de decisão, na mediação de conflitos pontuais ou em orientação de carreira, mas pode ser realizada como intervenção para crises. Geralmente é estipulado um número limitado de encontros. A diferença entre as duas é que a orientação é mais diretiva e pode ser psicoeducativa, já o aconselhamento tem um caráter mais receptivo e menos diretivo ou até não-diretivo em alguns casos. 


A Avaliação Psicológica é processo com começo, meio e fim (geralmente até 10 sessões) focado na produção de documentos (relatórios, pareceres e laudos).


Agora vamos ver o tipo de atuação mais popular e conhecida na psicologia, a Psicoterapia. Essa é uma modalidade específica com foco em mudanças profundas da personalidade e no tratamento de transtornos mentais. Sua duração é um processo de médio a longo prazo, sem um número pré-definido de sessões com objetivo de proporcionar a reestruturação da personalidade, um autoconhecimento profundo e o manejo de sintomas crônicos (ansiedade, depressão, traumas). Ela baseia-se no estabelecimento de um vínculo terapêutico contínuo e na aplicação de técnicas e abordagens teóricas específicas (Teorias Psicodinâmicas, Teoria Cognitivo Comportamentais, Teorias Fenomenológico Existenciais). Sua frequência pode ser semanal ou quinzenal, mas isso depende do planejamento terapêutico, uma decisão técnica tomada entre paciente e profissional, baseada na demanda e na fase do tratamento. 


A psicoterapia com frequência quinzenal pode ser compreendida como intervenção de Manutenção, é mais eficaz quando o paciente já possui boas ferramentas de autogestão. Este é o atendimento indicado para quem já passou pela fase aguda de um tratamento e agora foca na prevenção de recaídas. O objetivo é monitorar sintomas e reforçar estratégias de enfrentamento aprendidas anteriormente. Vantagem: Maior viabilidade financeira e tempo para aplicar as reflexões no dia a dia. Desvantagem: No início do tratamento, pode dificultar a criação de vínculo com o terapeuta e retardar a melhora de sintomas agudos.


O Conselho Federal de Psicologia (CFP) não impõe uma regra de periodicidade, mas exige que o psicólogo preste um serviço de qualidade baseado na ciência. Historicamente, a sessão semanal é o padrão-ouro para o início de qualquer tratamento, pois garante a continuidade necessária para mudanças mentais e comportamentais.


Quando a frequência é mais espaçada (mensal ou trimestral), o psicólogo geralmente migra do modelo de psicoterapia curativa para outras modalidades de intervenção. Aqui estão os tipos de atendimentos de saúde que melhor se adaptam a esses intervalos:

Atendimentos realizados 1 vez por mês (Mensal), geralmente não são considerados "psicoterapia" no sentido estrito de tratamento, mas sim um acompanhamento ou caso sejam pontuais aconselhamento psicológico. São consideradas Acompanhamento Psicológico se os pacientes já realizaram psicoterapia (semanal ou quinzenal) e saíram da fase aguda e mais grave, e na intervenção são trabalhados aspectos para a prevenção de recaídas, um processo que faz parte da alta do tratamento.

Os atendimentos que acontecem a cada 3 meses (Trimestral) são chamados de Promoção de Saúde, e deixam de ser um "tratamento" para ser uma intervenção preventiva. Nesta frequência, o processo deixa de ser psicoterapia curativa e passa a ser um atendimento pontual ou uma Orientação. É útil apenas para revisões de metas de vida ou acompanhamentos específicos após o término de um processo longo. O foco está na avaliação do bem-estar geral e "check-up" emocional. É muito utilizado no contexto de Psicologia da Saúde para acompanhar pacientes com doenças crônicas físicas (diabetes, hipertensão, dores crônicas) e verificar como está a adesão ao tratamento médico. O profissional ensina o paciente sobre sua condição de saúde e como o estilo de vida impacta o corpo.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Resolução CFP nº 13/2022: https://site.cfp.org.br/resolucao-sobre-psicoterapia-e-publicada-no-diario-oficial-da-uniao/

  • Código de Ética Profissional do Psicólogo (2005): https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf

  • Guia de Orientação: Psicologia e Saúde Suplementar (CFP, 2019): https://site.cfp.org.br/publicacao/guia-de-orientacao-psicologia-e-saude-suplementar/

  • Silva Junior, M. C. & Marcomini, T. M. (2024): Psicoterapia(s): Introdução às teorias e práticas clínicas.

  • Barlow, D. H. (2022): Manual Clínico dos Transtornos Psicológicos.

  • Napolitano, P. & Oliari, A. T. (2024): Manual de Atendimento Clínico: construção do psicólogo e terapeuta.

  • Scielo (2014): Aconselhamento psicológico e psicoterapia: aproximações e diferenciações.


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