Eu estou muito preocupado com o meu filho. Ele costumava ser uma pessoa tão carinhosa e calma, mas ultimamente, ele está agindo de forma estranha. Ele já não fala direito, passa a maior parte do tempo com os amigos, sai de casa cedo e volta tarde da noite. Eu mal o reconheço mais. Estou preocupado que ele possa estar enfrentando problemas com drogas ou álcool. Gostaria de encontrar uma maneira de ajudá-lo e descobrir o que está acontecendo para que possamos juntos para superar isso. (Relatos maternos - baseado em muitas histórias)
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| Família de bonecos |
Muitas vezes ouvi relatos de familiares como este e pensando nisso realizei palestras, grupos de apoio com familiares e aconselhamentos individuais. Além disso, colaborei no desenvolvimento de apostilas para fornecer informações importantes e orientações práticas para que as famílias possam cuidar melhor de si e de seus entes queridos. Acredito que, ao compartilhar conhecimento e experiências, podemos promover uma vida mais saudável e satisfatória.
Apesar de situações problemáticas como as relatadas anteriormente, muitos familiares apresentavam dificuldades na aceitação da necessidade de um tratamento.
Aceitar que a pessoa que amamos está abusando de drogas é um processo doloroso. As etapas de aceitação podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente seguem um padrão semelhante, conhecido como "estágios de mudança". Aqui estão algumas etapas comuns de aceitação:
Negação: A negação é uma resposta comum e natural a uma situação estressante/traumática. Nessa fase, a pessoa pode se recusar a acreditar que seu ente querido está abusando de drogas, pode tentar minimizar o problema ou culpar outras pessoas.
Raiva: Quando a realidade da situação começa a se estabelecer, a pessoa pode sentir raiva em relação ao ente querido que está abusando de drogas, outras pessoas envolvidas ou até mesmo de si mesma.
Barganha: Nessa fase, a pessoa pode tentar fazer acordos com o ente querido que está abusando de drogas, como prometer não o confrontar em troca de uma mudança de comportamento.
Depressão: Quando a pessoa percebe que não pode controlar a situação e que a mudança pode ser difícil, pode sentir-se deprimida e impotente.
Aceitação: Eventualmente, a pessoa pode chegar à aceitação de que seu ente querido está abusando de drogas e que é necessário tomar medidas para ajudá-lo. Essa etapa pode envolver procurar ajuda externa, como psicologia ou grupos de apoio, e tomar medidas concretas para ajudar o ente querido a superar o abuso de drogas.
É importante lembrar que essas etapas não são como linhas retas e que uma pessoa pode passar por elas várias vezes antes de alcançar a aceitação final. Além disso, buscar acompanhamento profissional pode ajudar aos familiares a passar por essas etapas e lidar com o abuso de drogas de forma mais eficaz.
Identificar o abuso de drogas em um ente querido pode ser um desafio, pois muitas vezes as pessoas que sofrem com o abuso de drogas e podem tentar esconder seus comportamentos. No entanto, existem alguns sinais comuns que você pode observar que podem indicar o abuso de drogas. Alguns desses sinais incluem:
Mudanças de comportamento: isso pode incluir comportamentos agressivos ou irritáveis, mudanças na personalidade ou humor, dificuldade em se concentrar ou se comunicar, ou se isolar de amigos e familiares.
Mudanças físicas: isso pode incluir perda ou ganho de peso inexplicável, olhos vermelhos ou dilatados, tremores ou convulsões, fadiga ou hiperatividade excessiva.
Mudanças no sono ou nos hábitos alimentares: pode haver uma falta de apetite ou um aumento do apetite, bem como insônia ou sono excessivo.
Descuido com a aparência pessoal: a pessoa pode perder o interesse em se cuidar, deixando de tomar banho, trocar de roupa ou escovar os dentes.
Problemas financeiros: isso pode incluir falta de dinheiro, problemas com pagamentos ou dívidas, ou a necessidade de pedir dinheiro emprestado com frequência.
Mudanças no desempenho escolar ou no trabalho: isso pode incluir faltas constantes, queda na qualidade do trabalho ou diminuição do interesse nas atividades.
Desaparecimentos frequentes ou desculpas evasivas: a pessoa pode desaparecer por períodos prolongados de tempo sem explicação, ou fornecer desculpas vagas ou evasivas para seu comportamento.
Mudanças nas relações interpessoais: pode haver isolamento social, perda de interesse em atividades em grupo ou companhias diferentes.
Presença de objetos suspeitos: podem ser encontrados objetos relacionados ao uso de drogas, como cachimbos, papelotes, seringas, entre outros.
Odor característico: o cheiro de álcool ou de determinadas drogas pode ser percebido na respiração, nas roupas ou no ambiente.
É importante lembrar que essas etapas não são um caminho reto e certinho. A pessoa pode passar por elas várias vezes antes de realmente aceitar a situação. Cada um tem seu tempo e jeito único de lidar com isso3. Mas, buscar o tratamento com psicólogo clínico especializado faz toda a diferença para se evitar a síndrome da codependência.

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