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A arte na psicoterapia

Ao longo dos anos em meus atendimentos verifiquei que a arte proporciona um espaço que está além da linguagem racional e verbal. Os desenhos, por exemplo, inicialmente eu utilizava como ferramenta de consultas com crianças e depois acabou se mostrando um canal poderoso para manifestações de certos conteúdos inconscientes em atendimento com adultos. No entanto, aprendi que não apenas um material para psicodiagnóstico, os símbolos expressos tinham um efeito curativo nos pacientes. Eles comunicavam o não dito, apontando para aspectos da vida ainda não refletidos de forma consciente.


Certa vez, enquanto um aluno de uma oficina de pintura estava fazendo seu primeiro quadro, ele de repente parou, como se catatonico, e começou a chorar. Sua pintura era abstrata e com elementos geométricos, mas por algum momento desconhecido ele sentiu vontade de chorar copiosamente. Depois de alguns dias relatou que ao tentar entender seu choro percebeu que havia lembrado de sua mãe e todas as expectativas que ela tinha lhe depositado. Ele chorava por ter saído do paraíso e todo seu conflito em relação a isso.

Aprendi que a psicoterapia somada ao fazer artístico é um recurso para produção de saúde, prevenindo e promovendo a saúde mental e o bem-estar psicológico. Em um grupo realizado em uma unidade de saúde os membros trouxeram reflexões interessantes sobre a importância da criação artesanal em suas vidas. Ao relatar sua rotina estressante em uma cidade metropolitana, relataram a importância do fazer artesanal em suas vidas como forma de alívio desse estresse, parada dos pensamentos e preocupações, forma de afastamento do mundo e barulhos, descoberta da paz interior e o contato com uma parte negligenciada de si mesmo. Além disso alguns expressaram o aumento da pressão arterial e outros problemas de saúde ao terem deixado essas atividades por conta de outros afazeres. 

Por mais de 10 anos tenho constatado a importância da arte na promoção da saúde e por isso índico atividades artesanais em suas rotinas. Proporcionando a experiência de uma espaço as vezes negligenciado pelo paciente que no artesanal encontra a liberdade para expressar conteúdos emocionais que não eram percebidos ou mesmo conhecidos.

O artesanal é um ato criativo no sentido simbólico, ele expressa um significado na execução e conclusão. Um bolo, um crochet, uma colcha de retalhos, uma pintura artística, uma dobradura. Essas e outras atividades manuais quando carregadas de significado manifestam conteúdos ainda desconhecidos e inconscientes da própria pessoa. Na psicoterapia esses símbolos são acolhidos pelo paciente ampliando a noção que tem de si mesmo, o que ajuda na organização de uma vida mais saudável através de escolhas mais coerentes com seu bem-estar. 

Quer experimentar saber mais a respeito de si mesmo e seu inconsciente? Acompanhe essa e as próximas publicações.

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