A codependência é uma síndrome que tem se mostrado presente em um número cada vez maior de famílias e profissionais. Conhecer suas características é um primeiro passo para prevenção ou para saída desse problema. Leia a seguir as 9 características das famílias codependentes.
- Confusão de papéis
- Tipo dependente
- Bode expiatório
- Imediatismo
- Causa desconhecida
- Diálogo fantasma
- Falta de limites
- Ausência de ritos familiares
- Família paralela
1 - Confusão de papéis
Algumas famílias se apresentam de forma confusa, na qual não se reconhecem os papéis de seus membros. Por esta falta de discriminação dos papéis as relações são embaraçadas por conflitos emocionais e sem o respeito a qualquer tipo norma ou hierarquia, o relacionamento entre pais e filhos é confuso.
“Tudo junto e misturado” seria a sensação provocada nos relacionamentos deste tipo de família, quando algo é pensado os membros acreditam que todos pensaram a mesma coisa, podendo em algum momento existir essa mistura. O comportamento padrão é o de agir como se tudo estivesse em acordo.
2- Tipo dependente
Outras famílias apresentam um relacionamento do tipo dependente. No qual ela não facilita o desenvolvimento da individualidade de seus membros, tornando-os dependentes. Podemos ver pais que são dependentes da dependência de seus filhos e filhas.
Em tais relacionamentos o sujeito fica preso ao seu papel, em que apesar de agir de forma agressiva em relação a família, não consegue cuidar da própria vida e demonstra uma “eterna imaturidade”.
3 - Bode expiatório
É comum algumas famílias terem mais de um membro que apresente atitudes problemáticas, mas decidem buscar o tratamento apenas para um. De forma inconsciente nomeiam esse membro como o bode expiatório.
Em meu consultório já recebi indivíduos encaminhados pela família para tratar seu consumo de drogas, ao proceder com as entrevistas me deparava com situações nas quais outros membros estavam em consumo abusivo de álcool ou de remédio, jogos, roupas, comida, pornografia ou aparelhos eletrônicos.
Estava clara a intensão da família de problematizar um dos membros para evitar que sua característica familiar tóxica ficasse evidente. Meu trabalho então se tornava conscientizar a família para estes vícios e as disfunções familiares procedendo muitas vezes com aconselhamento familiar e encaminhamento à terapia familiar.
Nestas famílias percebemos a dificuldade que seus membros tem em lidar com frustrações, crises, estresses e estados emocionais.
4 - Imediatismo
Imediatismo é outra característica das famílias adictas ou codependentes. Geralmente querem uma solução rápida para o problema. Ao chegarem em consultório, ou em uma segunda consulta, passam a reclamar porque o usuário “não mudou”.
Querem que o psicoterapeuta corte o mal pela raiz imediatamente, “pra ontem” como alguns dizem. Em meus primeiros atendimentos, me lembro do estresse e ansiedade sentida ao lidar com as famílias, pela pressão emocional que estes exerciam ao trabalho terapêutico em ter resultados imediatos.
O imediatismo funciona na família como uma energia constante e “invisível” passando por seus membros. Existe uma certa atmosfera de pressão emocional causadora de ansiedade crônica.
Em psicoterapia individual é necessária intervir no desenvolvimento de habilidades do sujeito para lidar com sua própria ansiedade e a de outros.
Na intervenção familiar são tratadas aspectos profundos dos relacionamentos. O problema é que o imediatismo não é resolvido de imediato, como muitas famílias sonham. Elas terão que abrir mão da ideia de que sempre resolvem tudo e que tudo tem de ser resolvido logo.
Saiba mais no artigo: O que é Codependência?
5 - Causa desconhecida
As famílias de abusadores de drogas entendem que o problema surgiu do “nada”. Com uma fantasia mágica e que um azar ou destino lhes causou a situação. E situações “mágicas” ou “espirituais” só podem ser resolvidas com palavras “mágicas”. Por isso acabam procurando ajudas imediatas que lhe tragam uma solução rápida.
Essas famílias apresentam-se como perfeitas, equilibradas, decididas, fortes e corretas, colocando o sujeito em posição desfavorável, como alguém perturbado e desamparado. O tipo de relacionamento que elas mantém reforça a incapacidade do sujeito.
Geralmente elas relatam terem reconhecido seus problemas familiares, mas acreditam que não precisam de ajuda. Os membros sentem dificuldade em aceitar que algo lhes passou despercebido.
6 - Diálogo fantasma
Outro ponto importante nas famílias adictas ou codependentes é a prevalência de mentiras ou hipocrisias que podem ser explicadas como formas de se preservar o relacionamento familiar.
Existem omissões e mentiras encobertando histórias ou situações não resolvidas. Elas apresentam dificuldades em expressar diretamente seus sentimentos e procuram manter um diálogo fantasma (6).
A comunicação nestas famílias é ineficaz, repleta de falhas e confusão. Seus membros falam e não são ouvidos ou falam de forma incompreensível. Deixam de conversar por entender que o assunto já está implícito, não precisa ser dito ou explicado.
É necessária o desenvolvimento de um diálogo honesto e compreensível.
7 - Falta de limites
O diálogo fantasma aponta também para outro aspecto presente nas famílias adictas, a inoperância dos limites.
As famílias dos drogadictos mantém um relacionamento no qual os limites não operam, aqui cabe o ditado: “regras foram feitas para serem quebradas”.
O drogadicto procuram estender os seus limites, físicos, mentais e sociais. Usam as drogas para aumentar alguma capacidade física limitada, ou usam a substância para romper os limites das sensações e percepções.
Quanto as regras (limites sociais), procuram burlar as regras ou negociá-las. Vivem esta questão tornando suas vidas um território sem limites/regras.
E, na realidade, os drogadictos algumas vezes funcionam apenas o sintoma de um contexto familiar. Pois essas famílias vivem regras e limites inoperantes, definindo limites para serem descumpridos. O que existe é o descumprimento de palavras e limites.
8 - Ausência de ritos familiares
Existe também a presença de mitos e a ausência de ritos familiares (8). Esses mitos são ideias transmitidas, as vezes por outras gerações, por meio de atitudes ou sentenças, que apesar de não serem partilhadas são cumpridas.
Estas crenças ou fantasias familiares são capazes de moldar uma pessoa a um tipo de destino. Por isso funcionaria como uma sentença que pode dirigir a vida de um sujeito.
Os mitos são difíceis de serem desvendados e desfeitos, e quando tratados podem causar certo desconforto no relacionamento familiar.
Já os ritos familiares são costumes e cerimônias que as famílias tem para poder passar por suas infelicidades e sucessos. Apresentam ao sujeito o sentimento de pertencer a um grupo. Os ritos podem ser compartilhados com comunidades e grupos sociais ou pertencer apenas a família.
Nas famílias adictas acontece um ausência de ritos e cerimônias que deixam seus membros a céu aberto nas situações e desfavorecem o sentimento de pertencer a família.
9 - Famílias paralelas
Outra situação muito presente é a formação de famílias paralelas. Muitas vezes o drogadicto procura criar uma independência de suas famílias de origem e terminam “copiando e colando” papéis, funções e tipos de relacionamentos na família paralela.
Saiba mais no artigo: O que é Codependência?
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