Dependência Química.
Antes de entender a codependência vamos definir o que é dependência química. A definição de dependência química é “ser dependente psicológica e/ou fisicamente de álcool ou outras drogas”, existem outros tipos de dependências como aquelas ligadas a compulsão por comida, jogos, sexo, masturbação, celulares e aparelhos tecnológicos.
Codependência e suas definições.
O codependente pode ser compreendido como alguém que é uma companhia ou se apresenta simultaneamente ao dependente.
Robert Subby definiu codependência como uma condição emocional, psicológica e comportamental que se desenvolve como resultado da exposição prolongada de um indivíduo a - e a pratica de - um conjunto de regras opressivas que evitam a manifestação aberta de sentimentos e a discussão direta de problemas pessoas e entre pessoas.
Earnie Larsen definiu como aqueles comportamentos aprendidos e derrotistas ou defeitos de caráter que resultam numa reduzida capacidade de iniciar ou participar de relacionamentos de afeto.
Para Melody Beattie codependente é uma pessoa que tem
deixado o comportamento de outra afetá-la, e é obcecada em controlar o
comportamento dessa pessoa.
Quando surgiu o conceito.
A palavra codependência apareceu no campo terapêutico por volta da década de 70 (do século XX), em diferentes centros de tratamento de dependentes químicos nos Estados Unidos. Originalmente a palavra era usada para descrever pessoas que tinham uma vida afetada por conviver com usuários de drogas.
Já nos anos de 1940, após a criação dos Alcoólicos Anônimos, um grupo de pessoas, na maior parte esposas dos alcoolistas, formaram grupos de mútua ajuda para lidarem com dores e sofrimentos que envolvia a convivência com seus maridos. Elas tomaram os dozes passos do A.A. como base, fizeram revisões e mudaram o nome para Al-Anom.
O pensamento básico era que a pessoa codependente fosse alguém cuja vida se tornou incontrolável como resultado de viverem num relacionamento comprometido com um alcoólico. Depois disso a definição foi expandida e melhor compreendida.
Com o tempo especialistas estudaram os casos e perceberam que a codependência não estava apenas ligada ao usuário de álcool e/ou de outras drogas, mas a todos que mantinham relacionamentos problemáticos com pessoas perturbadas, carentes ou dependentes.
Regras do codependente.
Outro denominador comum aos casos de codependência são as regras silenciosas e não escritas que geralmente se desenvolvem na família e estabelecem o ritmo dos relacionamentos. Geralmente essas regras proíbem:
- · Discussão de problemas;
- · Expressão aberta de sentimentos;
- · Comunicação honesta e direta;
- · Expectativas realistas (visão humilde);
- · Egoísmo;
- · Brincar e divertir-se; e
- · Autorrealização (Crescer e mudar).
A síndrome dos cuidadores.
O codependente quer e precisa de pessoas doentes em volta
para se sentirem em “paz” e “bem” em poder ajudar. Com reações do tipo:
obsessão, controle, ajudar-obsessivo, tomar conta, baixa autoestima mistura com
ódio de si mesmo, autoreprovação, autorepressão, raiva e culpa reprimidas,
dependência de pessoas problemáticas, atração e tolerância pelo bizarro,
abandono de si mesmo, problemas de comunicação, problemas de intimidade.
“É natural desejar proteger e ajudar as pessoas que nos são caras. É também natural sermos afetados e reagirmos aos problemas das pessoas à nossa volta. Quando um problema se torna mais sério e continua insolúvel, ficamos ainda mais afetados e reagimos mais intensamente a ele” (Thomas Wright)
Os codependentes são reacionários. Eles reagem aos problemas, às dores, à vida e ao comportamento de outros. Reagem a seus problemas, as suas dores e ao seu comportamento. Muitas reações envolvem tensão, incertezas de viver, medo de crescer ou outros problemas.
Outra questão importante é por ela se apresentar de forma progressiva. Na medida que o outro adoece o codependente adoece conjuntamente, reagindo cada vez mais com maior intensidade. O que começa como uma preocupação, evolui e passa a se manifestar como depressão, crises de ansiedade até se tornarem doenças somáticas, como problemas cardiovasculares, por exemplo.
Um vicio que precisa ser tratado.
O comportamento do codependente, assim como outros comportamentos autodestrutivos, se torna vicioso. Vícios em pensar no outro, no problema do outro, no sofrimento do outro. Qualquer que seja o problema do outro, e mesmo que o outro não tenha problemas, o codependente fantasia um problema que o leve a se preocupar com o outro.


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