Você sabe qual a diferença entre estar deprimido ou triste?
Hoje em dia é comum em consultório ou reuniões de equipe ouvir comentários do tipo "As coisas não deram certo e tô deprimida" ou então "depois do acidente o fulano ficou deprimido, você poderia atendê-lo?". As pessoas estão acostumadas a chamar de depressão qualquer situações emocional triste. Ou seja, a palavra depressão está um conceito banalizado e acaba se tornando uma sentença limitante do estilo vida.
Não é responsabilidade do consultante avaliar seus sintomas e sinais para discernir seu estado mental isso é tarefa do profissional de saúde, a pessoa pode simplesmente se queixar de "depressão" por uma unha encravada e isso deve ser respeitado por ser a sua vivência particular, que deve ser analisada.
O problema é existir uma confusão de palavras (conceitos) que possam ferir ou limitar a vida, e essa confusão está presente no cotidiano. E um outro problema ainda maior é que existam pseudo profissionais de saúde mental que não conhecem a diferença entre depressão e tristeza e vendem algum tipo de tratamento... e isso é um problema gravíssimo para o paciente.
Este texto nasceu após algumas conversas com colegas ao perceber a confusão criada entre uma "depressão" por ter levado um fora da namorada e uma depressão realmente patológica, ambas situações sujeitas ao desenvolvimento de uma psicoterapia, porém com gravidade diferentes.
Quando, na maior parte das vezes, recebo uma queixa ou "diagnóstico" de depressão inicio uma série de avaliações, a começar por uma entrevista para discernir os elementos (sinais e sintomas) e sua gravidade para compreensão do quadro.
Basicamente podemos entender que a frustração é uma reação básica na existência humana, isso significa que todo ser humano já experimentou o fracasso de uma expectativa, uma esperança não correspondida. É um sentimento de não-realização ou não-satisfação diante de um destino que se distancia da vontade.
No estado de frustração a pessoa pode sentir apatia, desânimo, desinteresse, sensação de cansaço, ansiedade, prostração, abatimento intelectual, moral, físico, letargia, estresse, ira e melancolia; por isso muitos chegam a confundir seus sintomas decorrentes da frustração com os sintomas da depressão.
Dentro de uma escala de humor hipotímico a frustração e a depressão estariam unidas em seu continuum, porém distintas pela gravidade e complexidade do quadro. A frustração como uma reação, um sentimento frente a desilusão, e a depressão como uma condição, uma síndrome com características biológicas e emocionas.
Alguém com uma síndrome depressiva encontra-se na condição vivendo a impossibilidade em adaptar-se ou reagir as circunstâncias e aos seus sentimentos e pensamentos. A sensibilidade afetiva os torna mais sofríveis e tristes as perdas vivenciais.
Poderíamos comparar a sua condição a de um alpinista que vive a situação de uma avalanche. Ela encontra-se impotente frente as suas reações emocionais (e pensamentos) desencadeadas ou agravadas biologicamente.
Enquanto que a frustração, um sentimento, está diretamente ligada a uma circunstância especifica e pode ser superada.
Com disse, devido a popularidade e banalização do termo depressão os sintomas podem ser confundidos com os de frustração e uma pessoa que esteja sofrendo de transtorno depressivo pode chegar ao extremo de sua condição, o suicídio, sem que amigos e parentes percebam.
É sempre necessário estar atento a condição e sintomas de cada individuo, se este consegue ou não reagir ao seu estado emocional. A seguir você verá a descrição de alguns sintomas para ajudá-lo a identificar a depressão, mas lembre-se, procure um especialista em saúde mental.
1) Durante o último mês, você esteve frequentemente chateado por se sentir deprimido e desesperançado?
2) Durante o último mês você esteve frequentemente chateado por sentir falta de interesse nas atividades?
Se a resposta foi não a ambas as perguntas, é pouco provável que você tenha depressão. Mas, se uma das respostas foi sim, esteja atento a outros sintomas da doença e procure um especialista (psicólogo, médico ou médico psiquiatra).
O diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas que incluam obrigatoriamente espírito deprimido ou anedonia, durante pelo menos duas semanas, provocando distúrbios e prejuízos na área social, familiar, ocupacional e outros campos da atividade diária.
1) Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias;
2) Anedônia: interesse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades;
3) Alteração de peso: perda ou ganho de peso não intencional;
4) Distúrbio de sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
5) Problemas psicomotores: agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias;
6) Falta de energia: fadiga ou perda de energia, diariamente;
7) Culpa excessiva: sentimento permanente de culpa e inutilidade;
8) Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar ou concentrar-se;
9) Idéias suicidas: pensamentos recorrentes de suicídio ou morte.
De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:
1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
2) Distimia: 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia
FONTE:
http://www.psiqweb.med.br/site/
http://drauziovarella.com.br/drau…/diagnostico-de-depressao/
Paulo Dalgalarrondo - Psicopatologia e Semiologia dos transtornos Mentais - 2ª ed. - Artmed, 2008
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